Antena paranóica: o Malato mais light é melhor

“Decisão final”, que esta
semana se estreou na RTP1, é o “Quem sabe, sabe” dos tempos modernos. O
apresentador pergunta e os concorrentes respondem. Há 55 anos, Artur Agostinho
punha as questões, hoje o papel cabe a José Carlos Malato. Antes, os prémios eram
electrodomésticos, o sonho das famílias à época, agora são euros, a “febre do
ouro” da nossa era.

Claro que a tecnologia já
permite fazer desaparecer os ignorantes por um alçapão – como no “The Ellen
Show” – enquanto na década de 50 havia, se bem me lembro, uma luzinha que se
apagava.

Podemos ser saudosistas,
afinal o Artur era brilhante – e seguríssima a Gina Esteves – e os
participantes pareciam menos burros. Mas José Carlos Malato consegue manter o
nível e alinha pela competência dos grandes que sucederam a Agostinho: Jorge
Alves, Henrique Mendes, Fialho Gouveia e Carlos Cruz.

Tudo no Malato é “clean”: os
diálogos com os concorrentes e o humor, a forma como pergunta e a expectativa
que cria – e até a sua nova volumetria, mais “light”, uma elegância. É bom ver
alguém trabalhar assim.

Antena paranóica, crónica publicada na edição impressa do CM de 2 junho 2012

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