Antena paranóica: o galheteiro do Masterchef

Estão na moda os formatos de programas de bricolage, de gordos, de comida, de trapos ou de calhandrice, enquanto os criativos procuram desesperadamente o prato seguinte, algo que consiga, ainda, surpreender o telespectador.

“Masterchef” não tem, entre nós, nem podia ter, a dimensão da versão australiana. Não pela qualidade da nossa cozinha, que é alta, mas pelo horizonte dos concorrentes, que é baixo. De modo geral, são simples entusiastas cuja ambição é cozinhar para as primas e, se as coisas correrem bem, talvez abrir uma tasca.

O melhor do “Masterchef” da RTP é o casting dos mestres da culinária, um trio de elevado gabarito. Bem, elevado é sem dúvida o caso do Chefe Cordeiro e de Ljubomir Stanisic, já que Justa Nobre parece estar sempre no degrau debaixo.

Ou seja, seleccionaram-se os chefs pela competência e obra feita, mas pôs-se um galheteiro no ecrã. Como Justa é a alma de tudo, custava muito ter escolhido dois homens mais maneiros para lhe pôr ao lado? É verdade que sem um temperozinho à portuguesa aquilo não seria a mesma coisa.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 30 julho 2011

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