Antena paranóica: o beijo da morte

O PSD vive o que é talvez o
momento mais delicado da sua história. Apostado em salvar-nos da bancarrota,
corre o risco de nos deixar “todos mortos”, para utilizar uma expressão de
Manuela Ferreira Leite, a voz no deserto que, ao longo de anos, gritou aos surdos
que existia o problema da dívida.

Mas os sociais-democratas têm
mais com que se preocupar, pois nem no tempo que se seguiu à derrocada da AD as
clivagens no seu interior foram, como hoje, tão profundas. As críticas ao
Governo, vindas de “gente da casa”, estão, a toda a hora, nos canais de
televisão.

E a recente referência, por
parte de Marcelo Rebelo de Sousa, ao “beijo da morte” que Miguel Relvas terá
dado a Fernando Seara, ao promover a sua candidatura à presidência da Câmara de
Lisboa, constitui o último exemplo das consequências mortíferas que o “fogo
amigo” vai provocando nas hostes laranjas.

Se Passos Coelho sobreviver
politicamente a este múltiplo apocalipse, então é porque Deus desautorizou
Ferreira Leite e atribuiu mesmo ao primeiro-ministro um dom, uma missão e um
destino.

Antena paranóica, publicado na edição impressa de Record de 15 dezembro 2012

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