Antena paranóica: nem Futre salva “Toca a mexer”

Não seria fácil à SIC encontrar um programa que pudesse disputar a liderança da TVI, nas noites de domingo. A capacidade de Teresa Guilherme na condução da coisa e a própria natureza perversa da fábrica de anormais tornam  a “Casa dos Segredos 3” num obstáculo quase incontornável.

Como aceitação da derrota, a estação de Carnaxide optou por lançar, no mesmo horário, algo de “familiar”, reunindo o estafado conceito da dança de amadores com o mais recente filão da exibição despudorada da gordura. Para disfarçar a fraqueza, meteu Paulo Futre no “júri”, mas a imagem do ex-craque – que começa a acusar o desgaste de um uso desbragado – não compensa a fragilidade geral de “Toca a mexer”.

O resultado é uma produção desinteressante, híbrida, isenta de sal e de graça, que não entra sequer no “top 10” de audiências do dia e perde para a “Casa” por mais de 1 milhão de telespectadores. Percebe-se a recusa de Joaquim Monchique, a quem a proposta para entrar no filme terá cheirado a esturro. Ou então foi apenas um feliz acaso a guiá-lo para longe daquela pepineira.

Antena paranóica, crónica publicada na edição impressa do CM de 27 outubro 2012

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