Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Antena paranóica: Maria João Abreu, uma estrela sem palco

O apreço que António Sala e
Manuel Luís Goucha me merecem, e o respeito que devo a todos os que colaboram
em “A tua cara não me é estranha”, da TVI, fazem com que não gaste demasiada
cera com um programa que é do pior que se tem feito entre nós, mesmo tendo em
conta a pouca exigência do público-alvo.

Prefiro salientar o que julgo
mais positivo: as criações de alguns artistas cuja capacidade atenua os efeitos
da tragédia. E de tudo o que temos
visto de melhor destaco as performances de Maria João Abreu, uma actriz que
começou do nada, em 1983, pela mão de Sérgio de Azevedo, e que chegou a
primeira figura pela exclusiva qualidade do seu trabalho.

Se o leitor achar intragáveis
os pegajosos elogios da ora “jurada” Alexandra Lencastre à sua colega, resista.
Porque se é fácil mudar de canal, lamentável seria perder a intuição pura de
uma comediante que tem o raro condão de nos emocionar.

Representar é uma actividade
simples, basta ser capaz. Mas Maria João vai mais longe: é uma estrela. Infelizmente, uma estrela sem palco à medida do seu enorme talento.

Antena paranóica, crónica publicada na edição impressa do Correio da Manhã de 4 fevereiro 2012