Antena paranóica: Manuel Serrão é repelente porquê?

Esta semana, ouvi mais um daqueles por vezes cómicos debates televisivos – e por vezes interessantes, é verdade – em que os fanáticos contratados por isso mesmo, por serem capazes de ver apenas para um lado, só não se batem porque teriam de deixar o programa e lá se ia uma nota preta.

O portista Manuel Serrão, talvez o maior agitador da televisão portuguesa, papel que lhe assenta como uma luva e que interpreta na perfeição, irritou tanto o sportinguista Eduardo Barroso que este – agastado e com o mau feitio que o caracteriza – classificou o opositor como “intelectualmente repelente”, expressão que fez questão de repetir, de cenho franzido, para que não ficassem dúvidas.


Foi forte? Foi. Mas Serrão ganharia o “round” seguinte, ao encarar com “fair play” o insulto, sorrindo. E dizendo para dentro: “Caíste que nem um patinho!”

 
Mais do que forte, foi incompreensível. Se as regras daqueles debates mandam que cada um defenda o seu emblema até à ressurreição dos mortos, para quê tamanha irritação? Divirtam-se mas é – olhem que a vida é curta.

 

Antena paranóica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 24 dezembro 2011

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