Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Antena paranóica: há falta de gente nova a falar de desporto na TV

As longas horas de
transmissões dos Jogos Olímpicos de Londres forçaram RTP e Eurosport a recorrer
a dezenas de comentadores, especialistas e supostos entendidos nas diversas
modalidades.

A estação oficial terá
perdido o confronto ao apresentar, a par de alguns opinadores excelentes,
outros sem os mínimos olímpicos. Entre os primeiros, é justo destacar a
extraordinária capacidade de Luís Lopes a acompanhar o atletismo, enquanto a
parte negativa coube ao voleibol, em especial pelo regresso do último
abencerragem de uma imbecilidade que se julgava extinta e que voltou para nos
atormentar com o seu velho e inesgotável arsenal de asneira e pretensão.

Aliás, começa a ser incompreensível
a falta de novos rostos e novas vozes nos comentários de desporto na TV, em
particular no futebol, com os melhores de hoje a serem os de sempre: Ribeiro
Cristóvão, Joaquim Rita. Fernando Correia, David Borges, Jorge Baptista ou
Fernando Guerra. Até o “benjamim” António Tadeia leva já quase 20 (!) anos de estrada.
Falta um “refresh” de talentos? Sim, estamos como o país.

Antena paranóica, crónica publicada na edição impressa do Correio da Manhã de 18 agosto 2012

Nota – Não referi, propositadamente, o jornalista Rui Santos, que mais do que comentador é autor de um programa, “Tempo Extra”, e colunista Record, bem como os meus camaradas de redação António Magalhães, Nuno Farinha, António Varela e Rui Dias, cuja qualidade é igualmente muito boa.