Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Antena paranóica: Bárbara, a desilusão pesada

Não fui apreciador do trabalho de Júlia Pinheiro na condução de “Peso pesado”, da SIC. Nesta fase da carreira fará melhor outras coisas. Esperava por isso ver maior frescura e entusiasmo em Bárbara Guimarães, na segunda temporada do programa. Enganei-me. A apresentadora ou está contrariada ou não se encaixa no formato, não atingindo sequer o nível alcançado em “Portugal tem talento”, onde não parecia confortável mas esbanjava poder de comunicação.

O estilo marcante de Alison Sweeney, na versão norte-americana – “The Biggest Looser” vai já na 12.ª série – é conseguido graças a um equilíbrio perfeito entre a sobriedade e o espírito maternal dedicado aos concorrentes fragilizados, um achado que Bárbara persegue sem êxito, pois a sua performance é lenta, monocórdica, por vezes até entediante. E no canal concorrente, claro, a dama de ferro recebe também as audiências desiludidas.

Bárbara Guimarães está perante um dilema: ser ou não ser capaz de se adaptar a esta televisão, de que provavelmente não gosta. Mas não tem outra, that’s the question.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 22 outubro 2011