Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Antena paranóica: Artur venceu a inveja.

Comecei a ouvir rádio por causa de Artur Agostinho e dos seus inesquecíveis relatos dos jogos de hóquei dos anos 50. E comecei a ver televisão por causa de Artur Agostinho e de um inolvidável concurso da RTP, o “Quem sabe, sabe”, de 1957, marca de uma época.

Conheci-o anos depois, nas suas raras aparições na Emissora Nacional, pois ele já era diretor de “Record” e coordenava apenas a actividade jornalística com os relatos de futebol. Mas quando passava pelos estúdios do Quelhas o Artur juntava muitos basbaques como eu e contava anedotas com o talento insuperável que colocava em tudo.

Só em 2005 nos reencontrámos num almoço, com o António Magalhães, para que “Record” acertasse contas com a sua história e pudesse reparar, na medida do possível, o irreparável: a brutalidade da demissão do Artur, em 1974. E creio que demos o nosso melhor.

Hoje, ainda mal refeito da perda daquele que foi “o” comunicador dos comunicadores portugueses, fixo-me na crónica de outro, Jorge Gabriel, no “Record”, e na revelação de uma lição sobre a inveja que recebeu de Artur Agostinho quando se iniciava na profissão: “Qualquer exercício que revele poder, projecção ou reconhecimento público estará debaixo da mira dos incompetentes”. Nem mais.

 Antena paranóica, publicado na edição impressa de Record de 26 março 2011