Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Antena paranóica: Anjo meu, um anjo mau

Pensava que era só mais uma incompatibilidade entre mim e uma telenovela, mas não. Olho para o “top” das audiências e verifico que “Anjo meu”, da TVI, sai amplamente derrotada tanto por “Remédio santo”, da mesma estação, como por “Laços de sangue”, da SIC, que disputam entre si os favores do público. E não é coisa pouca, são menos 300 mil espectadores.

Por hábito, não vejo novelas mas não tenho complexos: se me apetecer, lá estou eu. Foi assim que dei por mim, incrédulo, a acompanhar o trabalho de uma irreconhecível Alexandra Lencastre, uma actriz de marca urbana que não consegue convencer-nos na pele daquela Joana Rita – a sua pronúncia alentejana chega a roçar o ridículo.

Mas os outros intérpretes não vão melhor, a direcção de actores falha por completo – as marcações, então, são de um amadorismo inacreditável – e faz pena ver, por exemplo, a qualidade de um António Pedro Cerdeira malbaratada na composição apressada de mais um mau da história.

Os diálogos são banais, a realização é parca em rasgos – o contraste com “Espírito indomável” era gritante – pelo que longe estão os tempos em que uma produção destas não passava na TVI. Esperemos agora o possível: um desfecho rápido que mitigue a dor.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 21 maio 2011