Antena paranóica: a reportagem falhada sobre a vida de Jorge Mendes

Expectativa foi o que não
faltou, na última terça-feira, antes da transmissão, na SIC, da reportagem
sobre a vida do empresário Jorge Mendes, um documento raro que podia fazer justiça a um
homem cuja discrição faz parte do seu sucesso.

No final, ficámos com um
sabor a pouco. Houve elogios exagerados, metidos a martelo e grotescamente repetidos.
Abundaram os tons cor-de-rosa em longos minutos de monotonia propagandística,
sem ao menos um “sim mas”, pequeno contraditório que, no caso, até valorizaria
a narrativa. Editou-se um panfleto, não um trabalho jornalístico.

Jorge Mendes merecia melhor.
Afinal, o seu percurso profissional, construído a pulso, com esforço e dor,
vale pelos factos e pelo mérito, não pelo adorno da ostentação redutora, da lisonja
melosa, da submissão completa do autor a Deus.

Quando o protagonista é
fraco, só o panegírico promove a imagem, só a adulação cria a ilusão de
grandeza. Quem se destaca pelo que realiza, como Jorge Mendes, precisa apenas
de quem conte a história, tal e qual ela é, ou seja, sem o solo gratuito do
violino.

Antena paranóica, crónica publicada na edição impressa do Correio da Manhã de 26 maio 2012

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