Antena paranóica: a desilusão da noite eleitoral

A imaginação esteve em baixo no último serão eleitoral, que nos mostrou as caras de sempre e formatos tão gastos que só a nitidez da imagem lembrava não ter o tempo voltado para trás.

A RTP liderou as audiências, muito pela segurança que José Alberto Carvalho e José Rodrigues dos Santos transmitem ao espectador, mas também pelo achado da participação de Rui Rio – um dos poucos políticos do país que dá vontade de ouvir – em inteligente contraditório do raciocínio fulminante de António Vitorino.

Mais entorpecentes que certos comentadores foram ainda algumas “reportagens”, que copiaram a fórmula do “qualquer coisa serve”, recolhendo até, entre tantas frases ocas, verdadeiras pérolas da boçalidade. Aquela “opinião” interessa a quem?

Votei na freguesia do Lumiar, no meio da maior confusão por causa dos números de eleitor – pesquisados “à unha” em páginas intermináveis… – a que nem faltou a menina das sondagens, dentro do perímetro da assembleia, a solicitar a colocação do boletim com a nossa escolha numa pequena urna e a ter de responder à tonta pergunta: “É aqui que se vota?”

Infelizmente, a maratona televisiva não deu o devido ênfase a mais esta bagunça com a chancela do inefável ministro Pereira.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 29 janeiro 2011

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