André Villas-Boas: há magia no Special Two

André Villas-Boas aprendeu com quem devia, ou seja, não se limitou a observar jogos e a elaborar relatórios para o chefe, mas soube “beber” o pior e o melhor de José Mourinho: uma vaidade incontida e uma razão indiscutível para essa vaidade.

Nenhum treinador antes do Special One namorou tão bem com as câmaras de televisão. Nenhum as utiliza como Mourinho para ser o protagonista dos próprios guiões, para enviar recados para dentro do seu grupo, para se defender de ataques externos, para lançar desafios, fazer provocações ou semear a dúvida e a descrença nas hostes adversárias. E, claro, para construir desse modo uma imagem e criar uma marca.

Villas-Boas começou com uma ponta de arrogância antes de apresentar resultados e arriscou cobrir-se de ridículo. Mas conforme os obstáculos foram sendo ultrapassados e se sentiu mais seguro corrigiu o tiro e encontrou o registo adequado a um verdadeiro Special Two.

Hoje, as câmaras captam no rosto de André Villas-Boas os traços do equilíbrio e nos olhos a coragem. Ele assume as dores da sua gente e suporta até, mesmo em direto e sem sinais de enfado, as inevitáveis perguntas sem sentido, aproveitando em pleno a magia das câmaras que já o envolvem com a aura dos mitos.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 8 janeiro 2011

 

 

 

 

 

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