Ancelotti deixou o pássaro fugir

Depois dos espantosos 0-4 de Munique, vitória histórica e sem espinhas na casa daquela que era considerada a “herdeira” do Barcelona de Pep Guardiola como “melhor equipa do Mundo”, o Real Madrid – que já ganhara, na final contra o Barça, a Taça do Rei – parecia ter no bolso a Liga espanhola e estar lançado para uma mais que provável conquista da Liga dos Campeões, enfim a famosa e tão desejada La Décima.

Mas a infeliz gestão do plantel por parte de Carlo Ancelotti deixou fugir o passarinho da gaiola e deitou tudo a perder. Com muitas estrelas, e algumas nem tanto assim, os madridistas fiam-se nas insuficientes virtualidades da cantera – a sua equipa B, o RM Castilla, arrasta-se pelo 20.º lugar (!) na Liga 2 e pode ser despromovida – e apresentam-se, nas diversas frentes de competição, com um plantel curto, que baqueia perante o imponderável das lesões, um tormento que se agrava conforme a época se adianta e as pernas, sobrecarregadas, dão de si.

Hoje, após dois empates consecutivos que lhe fizeram, na prática, dizer adeus à Liga, restam ao Real mais duas partidas, que se anunciam penosas, antes de chegar ao grande objetivo que resta: a final de dia 24, no Estádio da Luz, e a possibilidade de ganhar a Champions. A questão é com que equipa…

A duas semanas do duro embate com o Atlético, os merengues têm Jesé já com a temporada arrumada, Pepe e Varane lesionados, Arbeloa e Khedira de regresso mas sem ritmo, Bale ora pronto ora indisponível e, o que é pior, Sergio Ramos, Modric, Di María e Cristiano presos por arames. Sem esquecer que Xabi Alonso, castigado, não atuará em Lisboa. São 11 soldados de elite condicionados!

Os jogadores estão espremidos e as lesões vão surgindo porque o corpo não é de ferro. Sabe-se que foi por excesso de esforço que Messi comprometeu a época – apesar de só com “meia perna” se preparar para voltar a ser campeão… – que Ibrahimovic teve de parar e que Diego Costa está também em situação crítica. E Cristiano? Se for poupado contra Celta e Espanhol, pode perder o Pichichi e, quase de certeza, a Bota de Ouro, e se jogar corre o risco de se apresentar diminuído na Luz. Carletto meteu-se numa carga de trabalhos. E vamos ver ainda a alhada que nos deixa para a Seleção.

Canto direto, Record, 10MAI14

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