Ambição no pós-2020 e Metro no século passado

Enquanto Passos Coelho retoma a velha obsessão pela reforma da Segurança Social – no que mais não pretende do que cortar as pensões contributivas em pagamento, uma sanha persecutória que parece ser o seu grande projeto político – Assunção Cristas traça um caminho autónomo para o CDS e no duelo autárquico enfrenta Fernando Medina, o Adamastor que sabe não poder vencer. E com Carmona Rodrigues ao lado, então, arrisca-se ao desastre.
Há dias, querendo contribuir “com rasgo, horizonte e ambição” para a solução do endémico problema dos transportes públicos na área de Lisboa, a líder centrista propôs o alargamento do Metropolitano, com a criação de 20 novas estações. Como o fez sem apresentar números, as críticas obrigaram-na a explicar que o plano é de médio prazo, para aplicação entre 2018 a 2030, e com 80% dos 1.876 milhões do custo total financiados por fundos europeus.
Apesar de o plano Cristas contribuir para inverter o serviço calamitoso que o Metro do século passado presta hoje aos passageiros e significar para o Estado um investimento de apenas 28 milhões anuais – nada que o controlo efetivo de quem anda a vender nas feiras e recebe RSI, por exemplo, não permita poupar – o Governo, cujo líder ainda há dias pedia “mais ambição no pós-2020”, ficou escandalizado. Nem alargar a estação de Arroios por causa da Web Summit conseguimos e agora vem esta para aqui com ideias! A política é assim – e é uma tristeza.
Observador, Sábado, 25MAI17
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