Amarguras de um sócio do Sporting

Por ALBERTO DO ROSÁRIO
gestor, consultor da Cofina Media

Sou sócio, com lugar cativo, de um Sporting em falência financeira, desportiva e, mais grave, de imagem. Com um presidente sem carisma e com decisões cada uma pior que a anterior, e um discurso que, pela incoerência e utilização de frases a roçar a banalidade, o caricato, a mediocridade, só pode envergonhar os sportinguistas.

Um primeiro ano de mandato trágico e um segundo a posicionar-se para pior: um treinador “forever” que saiu poucos meses depois, um diretor desportivo que, de currículo, deixou a agresssão a um dos melhores jogadores do plantel; um novo treinador, um novo diretor desportivo e, outra vez, um novo treinador. Tudo condimentado com “tiradas” do presidente que ficarão, para sempre, no anedotário do Sporting: desde o capitão respeitado que passou a “maçã podre” e depois a “grande profissional”, à já famosa “volta ao bilhar grande”.

E cá estamos hoje, sem nada a estranhar: uma época desportiva inqualificável para a dimensão do clube e a imagem do Sporting ainda mais negativa, com o contributo de um diretor desportivo referenciado por gostar de fatos e ser contra a ganga, mas que veio agora revelar uma nova faceta ao responder a críticas legítimas, de um prestigiado antigo presidente, com estranhas ameaças de divulgação de papéis. Coisa fantástica: um empregado do clube ameaça um ex-presidente de dar um papelinho aos jornalistas!

A fechar, ou a abrir, está um treinador que terá muitos atributos, mas também uma atitude assente em justificações e mais justificações. O técnico transformou-se, a cada derrota – infelizmente já demasiadas – no herdeiro da velha cultura portuguesa das “vitórias morais” que, engano meu, pensava estar banida.

O Sporting vai ter de sacudir este pesadelo. Talvez um primeiro passo fosse o presidente procurar um bilhar grande perto de si.

Bilhar grande, crónica publicada na edição impressa de Record de 16 dezembro 2010

Partilhar

Os comentários estão fechados.