Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Ainda a polémica dos títulos de Benfica e FC Porto e a reafirmação da posição de Record

De: João Ferreira [mailto:joaoalmeidaferreira@hotmail.com]
Enviada: segunda-feira, 8 de Agosto de 2011 21:50
Para: Record
Assunto: Um Record de títulos II

Exmos. Senhores,

Já há uns meses vos contactei, a propósito do mesmo assunto desta mensagem. Constatei que, na vossa capa de hoje, dia 8 de Agosto de 2011, aparece escrito que, com a vitória na Supertaça, o Futebol Clube do Porto ultrapassou finalmente o Sport Lisboa e Benfica em número de títulos oficiais: 70 contra 69. No entanto, para podermos considerar que o Benfica tem 69 títulos, teremos de considerar a Taça Latina como título oficial, o que é, para ser simpático, no mínimo duvidoso.

A FIFA, contactada pela agência Lusa, afirmou que a Taça Latina, competição por convite, não é um título oficial. O Record discorda e, até aí, tudo bem. Cada um é livre de ter a sua opinião. Eu acho que uma competição por convite, onde clubes convidados se recusaram a participar, para ir ganhar dinheiro em competições amigáveis ou porque não tinham jogadores, ao serviço das suas selecções no Mundial de futebol é tudo menos uma competição oficial, mas todos temos direito à nossa opinião. Agora o que me faz uma tremenda confusão é que o Record ignore a opinião da autoridade máxima do futebol mundial. Por muito respeito que eu tenha pelo Record e, por mais que ache que o jornal desempenha um papel de relevo no desporto nacional, não vejo que o Record tenha qualquer autoridade para fazer tábua rasa às decisões da FIFA. Se o Record decidisse que os torneios do Guadiana e de Guimarães, o troféu Teresa Herrera, a taça da Amizade, a Eusébio Cup e a Liga de Matraquilhos do café da esquina de Unhais da Serra fossem competições oficiais teriam os leitores de o aceitar livremente?

Eu compreendo que seja difícil aceitar que o Futebol Clube do Porto seja o clube português com mais títulos. Todos temos as nossas cores clubísticas. Também acredito, enquanto assisto divertido, que doa bastante assumir a queda de alguns mitos de supremacia, superioridade e grandiosidade. Mas nada disto justifica a forma leviana como o Record abordou o assunto, ignorando a decisão oficial da FIFA, enganando os leitores com capas como a de hoje.

Toda esta história da Taça Latina já irrita. A tentativa de adiar o inadiável e de mascarar a supremacia do Porto de forma tão absurda já cheira mal. Cheira tão mal que proponho que se mude o nome ao prestigiado troféu, passando a chamar-se Taça Latrina.

Com os melhores cumprimentos,
João Ferreira

Nota da QdoC

Agradeço ao leitor o seu texto e o livre e correto exercício (salvo o último parágrafo, talvez…) do seu direito à discordância. E só não lhe dou uma resposta com a mesma dimensão porque a minha posição e a do Record são conhecidas e não mudam ao sabor de concordâncias e discordâncias: contamos a Taça Latina como título.

A FIFA tem outra “decisão oficial”? Ótimo, quando fizermos o ranking de títulos segundo a FIFA não deixaremos de respeitar essa decisão.

Mas quando elaborarmos o nosso ranking, fá-lo-emos segundo os nossos critérios. E sabe o leitor porquê? Porque não temos tutelas e não respondemos perante a FIFA, nem qualquer outra entidade. Respondemos apenas perante a lei e os leitores, e são eles, no apoio do trabalho que fazemos – e não do que alguns acham que devíamos fazer – que nos dão a liderança da imprensa desportiva em Portugal.

Quem não concordar connosco, sabe o que fazer: segue a concorrência, nomeadamente aquela que dá, aos adeptos ferrenhos de cada um dos dois clubes em causa, exatamente – e só – o que eles pretendem ler. Nessa política não entrará o Record.