Águias sofreram para voar

 

O 2-0 foi não só a reafirmação
da classe de Aimar como sinal
do regresso da confiança
benfiquista após o 4-1 de Liverpool

Foi arrancada a ferros a vitória de ontem do Benfica. A equipa entrou em campo hesitante, os jogadores interrogavam-se: que marcas nos terão ficado dos 4-1 de Liverpool?

O Sporting compreendeu bem esse estado anímico dos encarnados e fez uma primeira parte muito boa, imprimindo velocidade ao jogo e pressionando os visitados, que se viram obrigados a suster o ímpeto leonino sem encontrar linhas de passe e perdendo sistematicamente a bola nas transições.

Valeu ao Benfica não ter sofrido um golo antes do intervalo, o que poderia ter-lhe complicado bastante mais a vida. E valeu-lhe ainda o julgamento “defensivo” de João Ferreira, que não teve coragem de mandar Luisão para os balneários, logo no início do segundo tempo, quando o brasileiro – a meio-campo, com o desafio parado e nas barbas do árbitro – “varreu” Liedson, numa entrada bárbara. Aceita-se o cartão amarelo? Sim, mas melhor se aceitaria o vermelho.

A partir daí, não houve mais Sporting. Nitidamente “partidos” em termos físicos – Veloso, que metera Javi no bolso na primeira metade, foi o melhor exemplo disso –, os leões permitiram que a linha média do Benfica finalmente funcionasse e o golo começou a adivinhar-se. Nasceu de uma grande jogada de Rúben Amorim – que numa mudança de velocidade surpreendeu um adversário já a jogar “a passo” –, e terminou numa antecipação de “matador” de Cardozo.

Depois, o 2-0 foi não só a afirmação de que a enorme classe de Aimar continua intacta, como sinal claro do regresso da confiança benfiquista – e ainda de um cheirinho a campeão que começa a sentir-se na Luz.

Agora, mesmo que o Sp. Braga vença as quatro partidas que faltam para terminar a Liga, bastará aos homens de Jorge Jesus ganhar os dois jogos em casa e empatar no Dragão ou em Coimbra. Faltam 7 pontos, na pior das hipóteses. Parece fácil? Talvez, mas pesa como chumbo.

Minuto 0, publicado na ediçaõ impressa de Record de 14 abril 2010

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