Os meninos do FC Porto só têm 15 anos

O jornalista Luís Avelãs comentava no Twitter o caso do aniversário da mulher de Uribe e concluía: “Se tivessem 15 anos ainda compreendia…”

Na verdade, a estranheza do editor de fecho do “Record” é comum a outras cabecinhas pensadoras, pois não se apresenta fácil aceitar que sejam as próprias companheiras dos futebolistas do FC Porto – que, como os maridos, beneficiam de um estilo de vida que não está ao alcance de qualquer mortal – a “desviá-los” para a festa fora de horas e, como se não bastasse, a divulgar a pândega nas redes sociais. Após uma derrota, é demasiada ingenuidade.

Mas há mais por entender. Não, por certo, a desvalorização dos limites impostos pelo regulamento interno do Dragão por parte de quatro recém-chegados de uma cultura muito diferente. O que surpreende, mais do que o raciocínio de “15 anos” dos sul-americanos, é o facto – será um facto? – de a entidade patronal ter reagido tarde porque apenas soube da festarola através do Instagram ou porque, tendo sabido mais cedo, procurou até à última ocultar os efeitos do delírio.

Por estes dias, têm sido recordados episódios antigos, como os de Vítor Baía e de Fernando Gomes, ou mais recentes, como o de Éder Militão, em que a mão de ferro dos azuis e brancos se revestiu do cunho implacável que era a sua imagem de marca. Mas o que fica por explicar agora é a aparente falta de acompanhamento dos passos dos profissionais portistas e da aparente inexistência de ligação entre a equipa e a entidade patronal – não era suposto ser esse o papel de Casillas? – que teriam permitido não só saber da convocatória para o convívio antes da sua realização, como ter jogadores, de alguma forma caídos de para-quedas no Dragão, já totalmente identificados com a responsabilidade que é, como diria Sérgio Conceição, envergar a camisola do FC Porto. Porque se for simples conversa, aos 20 e tal anos – Marchesín é o único nos 30 – ela entra por um ouvido e logo sai pelo outro…

Por sorte, com a vitória de ontem – conseguida sem a participação dos castigados, e de Pepe – e com a paragem do campeonato, a SAD portista pode lamber as feridas, aplicar umas multas e seguir adiante. Tem é, para evitar desgraças futuras, de recorrer mais à rédea curta e de fazer com que as referências que restam no plantel sejam uma espécie de papás dos meninos. Afinal, eles só têm 15 anos.

O último parágrafo vai para Manuel José, que, do Sporting, diz que não se lembra “de uma equipa tão ruim”. Sobre o Benfica, não é menos meigo: “Eles não jogam nada!” A caminho dos 74, o antigo treinador não perde a “rebeldia” dos verdes anos e, com tanto azedume, mostra-se também ressentido pelo esquecimento a que foi votado por uma “tribo” que, na verdade, sempre o olhou de lado. O que não é uma injustiça, é uma distinção.

Outra vez segunda-feira, Record, 11nov19

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