Adolfo e Jaime: dois homens, duas gerações

No último sábado, choquei com dois títulos fortes. Um foi o da entrevista de Adolfo Mesquita Nunes ao Expresso, o outro era do CM online: Liga de Bombeiros faz ultimato ao Governo.

Pertenço a uma geração que só tarde conviveu com a tolerância às orientações sexuais e com a expressão das opções individuais. Assisti a quase tudo, de sentimentos de vergonha a graçolas e insultos, passando pela coragem de casos pontuais, em especial de figuras públicas – Manuel Luís Goucha, então, foi determinante para ultrapassar preconceitos – e lamento que algumas continuem sem sair do armário e outras o façam mais para aparecer nas páginas cor de rosa, a imitar as tristes figuras de muitos hetero, do que por verdadeira emancipação. Por isso, senti-me confortado pela frontalidade com que o jovem dirigente centrista se assumiu como gay, para mais tratando-se de um homem de rara qualidade no que diz, no que escreve, no que é – e na maneira de ser que nos leva a apreciá-lo mesmo quando achamos que não tem razão.

Quanto ao protagonista do ultimato, o presidente da Liga de Bombeiros, Jaime Marta Soares, velho e vitorioso autarca de corpo repleto de marcas de guerra, direi apenas isto: nos últimos oito meses, pese a delicadeza do seu dossier, fez mais mossa no Governo do que Cristas e Passos juntos.

Chapeau!, senhores.

Observador, Sábado, 15FEV18

 

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