A única justiça nos títulos é a da soma de pontos

Dedico as primeiras linhas desta crónica a Álvaro Arbeloa, símbolo do Real Madrid, e que vai deixar o clube depois de ter conseguido quase tudo no futebol: campeão de Espanha, campeão da Europa, campeão do Mundo e campeão europeu de clubes, vencedor da Supertaça europeia, da Taça do Rei, da Supertaça de Espanha e da Taça do Mundo de clubes. É muito? É, mas o que aprecio particularmente em Arbeloa é a capacidade para analisar as situações apenas pela sua cabeça e a coragem com que diz sempre aquilo que pensa. Foi assim quando defendeu Mourinho, na altura em que era difícil fazê-lo, ou quando enfrentou, sozinho, ainda há pouco tempo, as contundentes investidas de Piqué contra o Real, nas redes sociais. A par dos grandes artistas do futebol, é uma pena que profissionais com a integridade de Arbeloa não sejam eternos.

Pelo meio, quero referir-me ao Belenenses, que ontem, com mais um golo sofrido mesmo no final da partida, terá perdido a oportunidade de se classificar na primeira metade da tabela. Mas, também, que mais se pode pedir à pior defesa da liga, com 65 golos consentidos e uma média de dois por jogo? É aguentar e esperar por melhores dias.

Termino com essa tecla tão batida nos últimos dias de que o Sporting é a equipa que melhor futebol tem praticado, com o que concordo, e que, por isso, merece ser campeão. Trata-se de conversa para tentar tapar o sol da realidade com a peneira. Primeiro, desde quando é que existe justiça no futebol? Depois, o título é atribuído à beleza futebolística ou à soma dos pontos conseguidos jogo após jogo, numa decisão resultante apenas da regularidade dos candidatos? São duas perguntinhas simples e com óbvias respostas.

Canto direto, Record, 9MAI16

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