Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

A tristeza de Cristiano Ronaldo

Não vou entrar na onda de adivinhação a que a “tristeza” de Cristiano Ronaldo tem obrigado os jornalistas, os de cá e os da vizinhança, mas limitar-me a sublinhar dois factos.

O primeiro é a empatia entre o CR7 e a maioria dos adeptos do Real Madrid, que pode ter ficado definitivamente abalada com mais este ataque de mimo do craque, que foi visto pelos madridistas, diga-se o que se quiser, como uma ofensa que não irão tragar: ele julga-se mais importante do que o clube, uma imperdoável presunção. E as barbaridades que escrevem os cibernautas só não são elucidativas porque a blogosfera é a coutada dos cobardes e dos invejosos.

O segundo facto prende-se com os “insignificantes” 12 milhões euros anuais que Cristiano aufere e que são já suplantados pelos 20 milhões de Eto’o, os 14,5 de Ibrahimovic, os quase 14 de Rooney, os 13 de Yaya Touré ou os 12,5 milhões de Sergio Agüero, e que igualam “apenas” os salários de Messi e Drogba.

Sejam quais forem os seus motivos, Cristiano gere mal a sua imagem. Como sucede quando os seus avençados se põem a enviar ameaças aos jornalistas. Faria melhor se pensasse que haverá mais vida depois do futebol. 

Passe curto, publicado na edição impressa de Record de 5 setembro 2012

Não vou entrar na onda de adivinhação a que a “tristeza” de Cristiano Ronaldo tem obrigado os jornalistas, os de cá e os da vizinhança, mas limitar-me a sublinhar dois factos.
O primeiro é a empatia entre o CR7 e a maioria dos adeptos do Real Madrid, que pode ter ficado definitivamente abalada com mais este ataque de mimo do craque, que é visto pelos madridistas, diga-se o que se quiser, como uma ofensa que não irão tragar: ele julga-se mais importante do que o clube. E o que escrevem por aí os cibernautas só não é dramático, e talvez decisivo, porque a blogosfera é a coutada de cobardes e invejosos.
O segundo facto prende-se com os “insignificantes” 12 milhões euros anuais que Cristiano aufere e que são já suplantados pelos 20 milhões de Eto’o, os 14,5 de Ibrahimovic, os quase 14 de Rooney, os 13 de Yaya Touré ou os 12,5 milhões de Sergio Agüero, e que igualam “apenas” os salários de Messi e Drogba.
Sejam quais forem os seus motivos, Cristiano gere mal a sua imagem. Como sucede quando os seus avençados se põem a enviar ameaças aos jornalistas. Faria melhor se pensasse que haverá mais vida depois do futebol.