A teia dos negócios familiares dá sempre asneira

Tivemos uma semana televisiva preenchida com os jogos florais das golas antifumo inflamáveis – ou apenas perfuráveis, uma doçura – dominados por desculpas esfarrapadas e trocas de acusações. E pelo escândalo da voraz teia de ligações familiares que vai zelando pela prosperidade dos novos donos disto tudo.

São novos e também velhos. Aliás, os novos são muitas vezes os velhos que ressurgem nas pessoas de filhos e netos, tios, sobrinhos e primos em graus diversos. E não vale a pena abrir a boca de espanto ou ficar chocado com negociatas e compadrios. A essência dos partidos – e o mal que qualquer democracia tem de suportar – é a proteção velada ou descarada do que melhor convém aos seus apaniguados, sob a égide de um chavão: o “interesse nacional”, que alguns, honra lhes seja, escolhem como desígnio de vida. Infelizmente, são bem menos do que se precisava.

Gestor da máquina do poder, António Costa ganha mais cabelos brancos a travar os “gremlin’s” do que a governar, mas a gula dos coladores de cartazes, sejam padeiros ou juristas, desta cor ou da outra, acaba sempre em burrice. Nada que nos surpreenda, é verdade, agora com um senão: escusavam de ser tantos a fazer tanta asneira ao mesmo tempo.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 3ago19

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