A patética nudez de Lima e Monteiro

Não é novo: a televisão é mortal. O mal é deixarmo-nos embalar pela exposição dos bons momentos, que são poucos e passam depressa, porque se o fizermos é certo que ficaremos nus na praça pública – a expressão nunca foi tão verdadeira – quando menos gostaríamos que nos vissem em desgraça.

O ministro Pires de Lima peca pela mania da excentricidade. E foi meter-se, com aparato mediático, na guerra entre os sindicatos e a gerência da TAP, surgindo no final de uma reunião de três horas (!), todo contente, a lançar foguetes porque, afinal, havia concordância quanto à privatização.

O País banzou: os sindicalistas tinham-se ido abaixo com os solos de harpa do Governo? Claro que no dia seguinte veio a resposta, contrária ao otimismo de Lima, que só voltou a aparecer na TV para assumir a paternidade da requisição civil, deixando por 24 horas despido e só o combativo secretário Sérgio Monteiro, visivelmente abalado enquanto apanhava as canas.

Isto de andar na política há tantos anos e não conhecer a volátil dialética sindical é simplesmente patético.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 20DEZ14

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