Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

A opção do leão: acabar com a mania da perseguição ou acabar a 30 pontos

O síndrome de Carlos Queiroz, que em boa verdade nunca deixou, de 1996 para cá, de se fazer sentir em Alvalade, voltou a casa com toda a força. Nós, jornalistas, só temos de nos sentir gratos pela importância que nos é dada num estranho estado de espírito de submissão a fantasmas, que resiste à globalização e à proliferação de poderes.Ainda ontem, um desses lapsos que faz parte do quotidiano de qualquer título se transformou em “perseguição” ao clube – nas redes sociais, espelho de corações. O Sporting não ganha há 5 jogos, como noticiávamos no interior do jornal, mas a gralha da 1.ª página, onde aparecia um “6”, é que fica com as culpas de todos os males que atingem o leão.

Godinho Lopes tem tentado contrariar, numa conjuntura difícil e que se vai complicando, esta doentia procura de desculpas para um fenómeno muito simples: a equipa tem atitude, as oportunidades de golo existem, a bola não entra.

Mas até Domingos Paciência, que julgávamos feito de outra madeira, já aparece nas conferências de imprensa de cabeça perdida, a espadeirar contra os moinhos de papel de jornal. E o resultado dessa fragilidade ficou agora patente na inqualificável atitude de Bojinov – que deixou de respeitar o líder – e na apatia de João Pereira – que não sentiu vontade de usar os galões que recebeu ao aceitar a braçadeira de capitão.

Não há em Portugal comunicação social que consiga montar cabalas para destruir pessoas. Não há em Portugal comentadores com poder suficiente para derrubar dirigentes ou treinadores. A opinião vale o que vale e tem a perna curta. O que de facto conta é o talento, o trabalho, a determinação e os resultados. O Sporting e o seu treinador têm que sacudir depressa este choradinho sem nexo, recuperar o controlo e partir para a única luta que lhes interessa: a que leva à vitória. Até porque a alternativa é arrasadora: perder todas as taças e terminar a liga em 4.º ou 5.º, com o campeão a mais de 30 pontos. É isso que querem?

Canto direto, crónica publicada na edição impressa de 21 janeiro 2012

O síndrome de Carlos Queiroz, que em boa verdade nunca deixou, de 1996 para cá, de se fazer sentir em Alvalade, voltou a casa com toda a força. Nós, jornalistas, só temos de nos sentir gratos pela importância que nos é dada num estranho estado de espírito de submissão a fantasmas, que resiste à globalização e à proliferação de poderes.
Ainda ontem, um desses lapsos que faz parte do quotidiano de qualquer título se transformou em “perseguição” ao clube – nas redes sociais, espelho de corações. O Sporting não ganha há 5 jogos, como noticiávamos no interior do jornal, mas a gralha da 1.ª página, onde aparecia um “6”, é que fica com as culpas de todos os males que atingem o leão.
Godinho Lopes tem tentado contrariar, numa conjuntura difícil e que se vai complicando, esta doentia procura de desculpas para um fenómeno muito simples: a equipa tem atitude, as oportunidades de golo existem, a bola não entra.
Mas até Domingos Paciência, que julgávamos feito de outra madeira, já aparece nas conferências de imprensa de cabeça perdida, a espadeirar contra os moinhos de papel de jornal. E o resultado dessa fragilidade ficou agora patente na inqualificável atitude de Bojinov – que deixou de respeitar o líder – e na apatia de João Pereira – que não sentiu vontade de usar os galões que recebeu ao aceitar a braçadeira de capitão.
Não há em Portugal comunicação social que consiga montar cabalas para destruir pessoas. Não há em Portugal comentadores com poder suficiente para derrubar dirigentes ou treinadores. A opinião vale o que vale e tem a perna curta. O que de facto conta é o talento, o trabalho, a determinação e os resultados. O Sporting e o seu treinador têm que sacudir depressa este choradinho sem nexo, recuperar o controlo e partir para a única luta que lhes interessa: a que leva à vitória. Até porque a alternativa é arrasadora: perder todas as taças e terminar a liga em 4.º ou 5.º, com o campeão a mais de 30 pontos. É isso que querem