Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Nuno Santos na TVI é a novidade que conta

O nascer da década trouxe-nos uma situação nova e outra de continuidade no funcionamento de dois canais generalistas. Começo pela última, a da RTP, que “reprovado” José Fragoso para a direção de informação, recorreu a um dos nomes que há anos flutuam como a cortiça, numa segunda linha cinzenta paga com o dinheiro dos impostos dos portugueses. Enfim, é para perder, pouco conta.

A novidade é que importa porque assinala o início do fim do longo e penoso torpor em que se arrastam os programas da TVI. E essa lufada chega com a contratação de Nuno Santos pela estação de Queluz, uma escolha feita na base de um currículo cuja derradeira página foi a criação do Canal 11, e que tem, nas passagens do novo diretor pela SIC e pela RTP, as marcas mais fortes.

Mas se a expectativa é enorme, difícil é fazer o trabalho. A SIC levará, nesta altura, talvez dois anos de avanço, em criatividade, projetos e obra em construção – porque tem cabecinhas que pensam à frente – e apanhar-lhe a liderança será coisa épica. E do sucesso de Nuno Santos no entretenimento dependerá também a informação da TVI, que deixará de ter a desculpa da debilidade da programação para justificar os “banhos” que há muito lhe dá a SIC e… a CMTV. Vai ser giro!

Antena paranoica, Correio da Manhã, 11jan20