A noite em que António Costa falhou

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Em Julho de 1975, mês anterior ao da chegada da televisão aos Açores, integrei o grupo de trabalho do Ministério da Comunicação Social que esteve no arquipélago para elaborar um relatório sobre a situação da informação. Uma situação caótica, já que os meios eram antiquados e os editores, desconfiados e conservadores, sentiam-se incomodados pelos perguntadores continentais.

A nossa delegação foi chefiada pelo então major Manuel Pedroso Marques, que participara, em 1962, na revolta de Beja, e que era um gentleman, um homem com uma postura rara. Fiquei a admirá-lo e, no mês seguinte, o agosto do Verão quente de 75, estando ambos de férias em Albufeira, voltei a encontrá-lo – com sua mulher, a jornalista Maria Antónia Palla. Juntámo-nos à noite, em casa do Carlos Veiga Pereira, meu chefe de redacção no Diário de Lisboa, e por lá ficámos, eles mestres da conversa, eu ouvinte deliciado.

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Ausente do serão, para se divertir com amigos – e na altura certa para sentir o apelo da política e da Juventude Socialista – esteve António Costa, de 14 anos, filho da Maria Antónia e enteado do Manuel. O mesmo António Costa que me enviaria, em 2009, na sequência de uma crónica na SÁBADO, a lista dos milhares de pilaretes que a Câmara de Lisboa instalara desde o início desse ano e que eu achava poucos… Recordei, então, o encontro falhado de Albufeira, que chamo agora de novo à memória, com pena de que não tivesse acontecido. E sempre com saudades do Manuel.

Foto 1: Pedroso Marques e Maria Antónia, no Fórum Lisboa, ouvem o discurso de vitória de António Costa

Foto 2: O relatório elaborado pelo grupo de trabalho foi metido na gaveta pelo Governo. Ontem como hoje

Parece que foi ontem, Sábado, 2OUT14

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