A guerra que o dr. Varandas não pode ganhar

Cada vitória de Jorge Silas, e em quatro dias houve duas, o que é notável nas presentes circunstâncias, faz com que o foco da contestação se afaste do presidente do Sporting, que no confronto com as claques se meteu num conflito só com perdedores. Mas o problema é que o inferno se instalou em Alvalade e o diabo voltará sempre.

Tendo convivido tanto tempo com a equipa, o dr. Varandas sabe bem que, como as “mulheres honestas”, os agentes desportivos não têm ou não devem ter ouvidos, sob pena não só de passarem a vida a responder a energúmenos, como a colocar-se ao nível da rufiagem. Sabe mas não aprendeu, pensando –como o seu antecessor – que o Sporting é ele.

Os insultos e as ameaças que são dirigidas a Frederico Varandas, tendo como motivação imediata o insucesso desportivo, assentam, na verdade, no facto de ele não ser respeitado por aquela franja da sociedade leonina onde se refugiam os mais frustrados e desencantados com o dia a dia – por esses, mas não só.

É que todos nos lembramos – e eu apontei aqui, no momento próprio, esse seguidismo absurdo – de ver o atual presidente, sentado no banco, ao lado de Bruno de Carvalho, e saltando do lugar ao mesmo tempo que o chefe, recorrendo aos mesmos gestos e gritando as mesmas palavras ao insurgirem-se, com espalhafato, contra decisões dos árbitros – parecia a sombra do querido líder.

Cortando com Bruno de Carvalho quando a coisa deu para o torto – para o tortíssimo – o dr. Varandas candidatou-se à presidência e ganhou, sem que a malta brava esquecesse a entusiástica sintonia do passado. Por muito injusto que seja, hoje ele é odiado fundamentalmente por esse fantasma que não desaparece. E ao puxar pelo pior do caráter dos seus inimigos, cava ainda mais o fosso do qual só um milagre continuado de Silas o tirará.

O Mónaco de Leonardo Jardim já está com os mesmos pontos do oitavo classificado, na Ligue 1, e apenas a três (!) dos lugares de acesso à Champions. E tem o segundo melhor ataque da prova… O que se consegue com um treinador competente!

Termino, deixando palavras de admiração a dois comentadores. Uma ao António Ribeiro Cristóvão, que ao analisar o Sporting-Rosenborg, na SIC Notícias, se viu interrompido em estúdio por um fanático do emblema de Alvalade, que pretendia corrigi-lo – ao que chegámos! Jornalista de referência e de sólida reputação, Ribeiro Cristóvão manteve a sua opinião e embrulhou o rapagão. Chapeau!

A outra palavra, com outro chapeau!, vai para Pedro Henriques, que na Sport TV teve a coragem de atribuir a Nuno Coelho e a Gonçalo Silva, defesas do Belenenses SAD, a abertura da “autoestrada” que permitiu a Welinton Júnior marcar o golo madrugador do Aves. É que logo após o desenlace, o realizador destacou, com um plano americano, o único central que não interveio na jogada, o jovem Tomás Ribeiro, que ficou assim, aos olhos do telespetador, como o culpado pelo golo avense. Muito feio.

Outra vez segunda-feira, Record, 28out19

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