Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

A grande oportunidade dos deserdados do madridismo

Sem poder contar com Marcelo, Modric, Bale e Benzema, o Real Madrid dá hoje aquela que pode ser a última oportunidade a três contratações que resultaram em três mal-amados do madridismo: Fábio Coentrão, Illarramendi (que não jogará de início) e Chicharito Hernández.

Se Benzema e Bale se apresentam, nesta fase final mas decisiva da época, fisicamente arrasados, foi porque o Real, Ancelotti ou ambos não quiseram dotar o plantel de substitutos de nível idêntico. Lembram-se de Higuaín? Lembram-se de Callejón? Ambos corridos à velocidade do melhor “portero” que tinha o Real, Diego López, para fazer a vontade à clique que manda no balneário blanco.

O argentino e o espanhol estão a fazer no Nápoles uma temporada excelente. Mas falta outro, de rendimento muito superior ao de Bale… Lembram-se de Di María? Esse está encostado às boxes em Manchester porque não compreendeu que o Real era a equipa à sua medida…

Illarra é o caso típico de um jogador de qualidade que não tem a dimensão dos grandes clubes, nem consegue evoluir de modo a chegar lá. Carletto deve ter hesitado entre ele e Khedira, mas o alemão já não está com a cabeça no Bernabéu, só pensa em voltar a casa, acabou. E tendo de escolher entre dois males, o técnico preferiu jogar com Pepe ou Sérgio Ramos à frente dos centrais, libertando mais Kroos para “fazer” de Modric.

Quanto a Coentrão, ele tem hoje um confronto à sua medida. Defende mais eficazmente do que Marcelo, joga melhor de cabeça e centra ou remata tão bem quanto o brasileiro. E é mais intenso, tem mais pilhas, durante uma hora mete o prego a fundo até rebentar. Já brilhou no passado noutros embates históricos do Real e hoje pode ser o seu dia.

Hala Madrid!