A feia atitude de Bruno Fernandes

As opiniões dividem-se na análise ao comportamento de Bruno Fernandes após a sua expulsão na partida do Bessa. Começo por estar de acordo com os que defendem o futebolista, justificando os pontapés nas portas do balneário e os insultos com o calor do momento. De facto, só quem nunca praticou desporto de competição pode ter dificuldade em entender os sentimentos de frustração que um atleta tem, tantas vezes, de enfrentar.

Há depois o problema dos estragos provocados nos equipamentos que pertencem ao Boavista. Nada mais simples: como o próprio Bruno disse, é mandar reparar e apresentar a conta. Quanto aos insultos, a questão tem que se diga, pois no áudio das imagens divulgadas pela CMTV ouvem-se inúmeros palavrões saídos da boca do jogador mas não se consegue encontrar uma palavra ofensiva dirigida a alguém. É fazer um inquérito e tirar conclusões. E se ficar provado que insultou, o capitão sportinguista terá de ser punido. Talvez com outros 150 euros, em cumprimento da ridícula tabela aprovada pelos clubes para fingir que existem multas…

Sobre o “calor do momento”, podem também tecer-se algumas considerações. Desde logo, pelos amarelos que Bruno Fernandes viu, o segundo justíssimo, o primeiro forçado. E mais forçado ainda se tivermos em conta o caráter competitivo do jogo do Bessa, com o médio leonino a sofrer intervenções rudes dos adversários, sem que o árbitro atuasse com idêntico rigor. Bruno chegou, assim, ao balneário, frustrado com o resultado da equipa que carrega às costas e com o peso da injustiça pela expulsão, num desafio em que foi alvo preferencial das “entradas” a doer dos boavisteiros – sim, que com Lito Vidigal a coisa é sempre levada a sério.

Dito isto, dou igualmente razão aos que criticam, com conta e medida, a reprovável atitude de Bruno, que tem um problema evidente com a gestão da raiva. De facto, não foi bonito ver o capitão de cabeça perdida a fazer aquela triste figura, um comportamento, aliás, que não surge isolado, antes na sequência de expressões ásperas e gestos agressivos a que o médio recorre em campo – e visando normalmente o árbitro. Esse feitio “explosivo” faz dele uma vítima anunciada. Do juiz da partida, que acaba por se fartar da contestação e o pune, com ou sem razão, e dos adversários que cedo o castigam do ponto de vista físico, por motivos táticos e por saberem que, psicologicamente, não é de ferro.

Agora, calem-se é as virgens ofendidas com a treta do mau exemplo para os jovens, pois vivemos num país em que as televisões conquistam audiências com programas em que se veem plateias repletas de senhoras respeitáveis, ao lado das filhas, a rirem-se desalmadamente com as mais boçais ordinarices de alguns criadores de piadolas. Moral da história: Bruno Fernandes que pague as portas e a eventual multa – e que volte a jogar o seu melhor futebol. Se possível, com a cabeça fria, a trabalhar para que os outros metam primeiro o pé na argola.

O último parágrafo vai para a espetacular Laver Cup que ontem terminou em Genebra, na Suíça, com nova vitória da equipa europeia. A nata dos tenistas em competição num cenário fantástico e com uma realização televisiva de altíssima qualidade. Só faltou Djokovic num torneio perfeito!

Outra vez segunda-feira, Record, 23set19

Partilhar

Os comentários estão fechados.