A ética é morta

Os dirigentes do Santa Clara têm razão em considerar “uma enorme falta de respeito” o modo como o treinador Quim Machado, ao serviço dos açorianos havia ainda poucos dias, os abandonou para assinar de seguida contrato com o Belenenses. Infelizmente, temos regulamentos que permitem estas indecências, e gente poderosa para a qual o oportunismo é rei e a ética é morta.

Rui Pedro Soares repetiu com o seu novo técnico o mesmo gesto de março de 2015, quando, para ultrapassar o espúrio conflito com Lito Vidigal, foi ao Mafra, que lutava pela subida – o que viria a conseguir com António Pereira – buscar Jorge Simão. E com ele concretizar a ida à Liga Europa para que apontava já o brilhante desempenho da equipa dirigida pelo atual treinador do Arouca. É caso para dizer que se a lei da selva permite, aplica-se a lei da selva.

Curiosamente, o líder da SAD dos azuis aproveitou a recente mudança para se gabar da sua capacidade para escolher técnicos – vivendo ainda do real acerto das opções por Vidigal e Simão – como se a contratação de Sá Pinto, na época passada, ou a de Julio Velázquez, há quase um ano, não tenham sido fracassos, por muita simpatia que se sinta pelas personalidades dos dois técnicos. Aliás, está por explicar a súbita renúncia do espanhol, que surpreendeu à chegada pelo seu arrojo tático – quando havia, a meio-campo, o talento de Aguilar, Bakic e Carlos Martins… Esta temporada, nem um “9” qualificado tinha!

Agora, com Quim Machado, e pese o bom começo, temo que se acabe na desgraça de sempre.

Canto direto, Record, 10OUT16

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