A estupidez da taxa dos sacos de plástico

Em ano eleitoral de bota fora, e na tentativa de recuperar alguma base social de apoio, decidiu o Governo abolir os cortes nas pensões até 4.611 euros, que lesavam meio milhão de reformados. A medida obriga a gastar, em 2015, as centenas de milhões de euros que estavam a ser roubados desde 2011, e é compensada pela chamada fiscalidade verde que inclui, com o pretexto da preservação ambiental, a nova taxa sobre os sacos de plástico.

Mas como o Executivo interpreta fielmente o sentimento nacional que o eng. Ângelo Correia identificou na entrevista ao Expresso, o de que “adoramos os pobres mas odiamos os que têm sucesso na vida”, Passos Coelho manteve os cortes das pensões acima de 4.611 euros, que representam poucos votos e correspondem a uma poupança de escassas dezenas de milhões de euros.

A opção demagógica de insistir nos roubos aos impropriamente considerados ricos foi, como sempre, tomada em nome da inveja social estimulada nos últimos anos.

Quando se trata de competência é que é pior. Em vez de produzir uma lei que penalizasse por inteiro a sacaria não biodegradável, o Governo taxou só os sacos finos e criou um novo de modelo de negócio às empresas – que passaram a vender embalagens mais fortes – perdendo o Estado 40 milhões de receitas. Não ter previsto isso é desconhecer o principal dom da inteligência privada: comer, ao pequeno-almoço, a estupidez pública.

Observador, Sábado, 26FEV15

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