A escolha de Fernando Santos no Portugal eterno

Ecoam os aplausos pela escolha de Fernando Santos para selecionador nacional e multiplicam-se os elogios à sua capacidade, personalidade e currículo. Quero unir-me ao coro que cobre o treinador de mimos: outras figuras do futebol, poucas é certo, teriam o seu perfil e a sua competência, mas melhor pessoa e melhor profissional não se encontraria. O pior é o resto.

Junto-me também à meia-dúzia de extraterrestres que ousam levantar reservas à opção da Federação, já que me parece inconcebível que se convide para selecionador um técnico que estará oito jogos impedido de se sentar no banco. E não só por esse facto, já de si relevante, antes por aquilo que a indiferença federativa pelo castigo significa: mais amor às conveniências do que a um intocável princípio, o da disciplina. Porque a verdade é que Fernando Santos não foi punido pelas palavras que (ele diz que não) dirigiu ao árbitro – teria apanhado quanto, um jogo de suspensão? – mas por ter continuado a exercer funções após a expulsão, em ostensivo e grave desrespeito pelos regulamentos.

Aliás, o desprezo da FPF pela disciplina é tal que, depois da saída de Paulo Bento – agora feiamente transformado no mau da fita –, Ricardo Carvalho viu perdoado e esquecido o tristíssimo comportamento que levou ao seu afastamento. Se “reabilitar” Danny se compreende, pois o extremo responderá apenas por um eventual escasso interesse em representar a equipa das quinas, como entender a futura chamada de um jogador que fugiu da concentração – e com ela igualmente dos companheiros, da representação nacional e de nós, adeptos e seus compatriotas – a poucas horas da partida da Seleção para o estrangeiro? Isso só é possível em Portugal, neste país eterno em que eternamente persistirá a falta de ética e de vergonha.

Canto direto, Record, 29SET14

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