Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

A demissão de João Almeida e o comentário de um sócio do Belenenses

Do ponto de vista da avaliação do carácter não quero, nem seria capaz, de fazer comentários sobre a decisão do Presidente João Almeida em abandonar o clube.

Importam-me apenas as consequências da sua decisão que são, no meu entender, e porque tento sempre ser coerente positivas.

Estávamos, na minha opinião, perante um homem de retórica e não de acção que não vai deixar saudades enquanto líder do Clube.

Registo apenas três coisas porque são óbvias:

1º A demissão parece ser o horizonte fatal dos últimos Presidentes do Clube (CF, FS, VC e agora JA).

2º João Almeida tomou esta decisão com a sua comprovada habilidade política na medida em que o fez no mesmo dia da saída de Sócrates abafando assim grande parte do eco noticioso que a sua saída, pela janela, inevitavelmente iria gerar.

3º O Belenenses e o próprio Belenensismo de João Almeida, (que está acima de qualquer suspeita), não mereciam esta habilidade.

Para terminar, deixo uma imagem, via General Patton, do tipo de homem que o Belenenses terá que tentar encontrar, para a sua liderança, entre as suas fileiras de sócios.

Contava o General na primeira pessoa:

Um dos tipos mais corajosos que já encontrei foi um tipo que estava empoleirado num poste de telégrafo, na Tunísia, no meio de um intenso tiroteio.

Parei, momentaneamente, para lhe perguntar que raio estava a fazer lá emcima numa altura daquelas.

Ele respondeu:” Estou a arranjar o cabo, Senhor”.

Perguntei-lhe: ” Não achas que é um pouco arriscado fazer isso agora?”.

Ele respondeu: ” Sim senhor, mas o raio do cabo precisa mesmo de ser arranjado”.

Perguntei-lhe: ” Aqueles aviões que estão a metralhar a estrada não te incomodam?” .

E ele respondeu: ” Não, senhor, o senhor é que me está a incomodar, e não é pouco!”.

Patrick Morais de Carvalho