A cruel atitude de João Pereira

Compreende-se a reação agreste de Bosingwa ao seu afastamento da Seleção, já que Paulo Bento resolveu não usar a habitual desculpa da “opção técnica” e entrou na área das caraterísticas emocionais para justificar o afastamento do lateral.

O que o jogador do Chelsea não entende é que uma seleção seja hoje, mais do que nunca, um grupo de trabalho, unido e cúmplice, pelo que não são toleráveis manifestações de egocentrismo, simulações de lesões, envio de “recados” ou o recurso incontido a opiniões que sirvam para dividir.

O problema para mim não está na preferência que o selecionador dá, para substituir Bosingwa, a um jogador mais duro, de mais “pêlo na venta” e tecnicamente menos eficaz, mas cuja balança do deve e do haver pende para o lado que interessa, que nos interessa.

O que me custa é ver Paulo Bento passar sucessivos atestados de confiança a um profissional que, dias depois, pisa, cruel e aparentemente de propósito, a perna de um adversário caído por terra. Mais do que uma caraterística emocional, trata-se de uma questão de formação. Ou da falta dela.

Passe curto, publicado na edição impressa de Record de 9 novembro 2011

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