Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

A caça às chamadas, uma choradeira sem fim

As chamadas de valor acrescentado são hoje um filão que meio algum pode dispensar. A necessidade puxa pelo engenho e, das “votações” com brinde às apostas nos prémios em dinheiro, aí temos a maior concorrência à Raspadinha. Santana Lopes sofre.

Ao fim de semana, as tardes da TV têm alinhamento simples: três minutinhos de música popular e moçoilas a dar à perna, seguidos de conversa de chacha de cinco ou seis minutos – que sai mais barata que os modestos cachês da cantoria – repartida pelos apresentadores de castigo.

Eles falam das idas ao médico, do frio, dos gostos culinários ou até da doença da carraça em Marte, tudo entremeado com o interminável peditório do ligue já, não se esqueça, são tantos contos na moeda antiga, o cartão realizará todos os seus sonhos, basta uma simples chamada, veja quanto pode gastar, olhe que faltam só duas horas, uma, meia e por aí fora.

E nova cançãozinha cumprida, outra carpideira repete a lenga-lenga, são horas naquilo. Cansa? Pois, mas é a vida.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 14FEV15