A aderência televisiva (e não só) à asneira

Há dois anos, a direção do Record identificou jovens repórteres para formar a equipa da Hora Record, da CMTV – e que se mantém ainda, com pequenas alterações – e teve uma preocupação principal: a de escolher profissionais capazes de se dirigir diretamente ao telespectador, ou seja, a de encontrar jornalistas em início de carreira que dispensassem a edição dos seus textos.

Se no papel surgem licenciados a escrever “conselho de Almada” ou “carregar no acelarador” e que só se conseguem “travar” no “desk” ou na revisão, em televisão o tempo exerce uma pressão que torna quase impossível colocar essa rede debaixo de cada jornalista. Julgo, até, dadas as asneiras ouvidas, que a maioria das chefias desistiu da batalha.

Quando um ministro fala na “aderência às reformas”, que admiração haverá em ouvir na TV, em poucos dias, frases como “a chuva provocou uma inundação de água”, “os passageiros que viajavam no interior do autocarro”, “as jovens meninas”, “as conclusões finais” ou ainda que uma rapariga, morta por inalação de fumo, “não resistiu aos ferimentos”? Sim, é aceitar a derrota e seguir em frente.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 8NOV14

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