65.º aniversário do Record: uma data marcada

Pelo 12.º ano consecutivo, escrevo no número de aniversário de Record. É bom sinal, embora não seja hoje, não seja em boa verdade desde 2006, um exercício de felicidade.

Há precisamente oito anos, esta edição ficou marcada por uma tragédia que nos perseguirá para sempre: o desaparecimento, na Patagónia, num brutal acidente de aviação, dos meus jovens camaradas César de Oliveira e André Romeiras. Sei que já muitos dos que os choraram os perderam no tempo, nesse tempo que tudo apaga, cruelmente. Mas não os perdi eu, que mesmo fora do seu círculo íntimo nunca me conformei com o injusto adeus, nem com as vidas, as carreiras, os projetos e as ilusões que a morte traiçoeira destroçou. E aqui estou, amargurado e com o pensamento nas suas famílias, a dizer presente.

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O ser humano tem, no entanto, a capacidade única de encontrar alegria quando as nuvens se carregam de tristeza. E quis a direção do jornal não só associar-me ao 65.º aniversário, como permitir que reparasse uma falha incompreensível do meu ciclo de uma década à frente deste título, regressando à redação para entregar o Record de Ouro a Octávio Machado.

Sobre o jogador e o treinador, e o sucesso de ambos, estará quase tudo dito, mas a convivência de alguns meses, na CM TV, deu-me ainda a conhecer o homem e, com ele, o empresário, o agricultor, o bombeiro, o antigo autarca, o cidadão de causas profundamente envolvido com a sua comunidade e com o País.

Não é fácil deixar o futebol e o mediatismo que ele transporta sem cair no torpor e no desinteresse que terminam na desilusão e no esquecimento. Por isso, Octávio Machado é um exemplo. E também, o que não é menos relevante, porque chegou, como Record, aos 65 anos, rigoroso e actualizado, independente e determinado, inteiro e sem medo.

Desfrutei o momento, Octávio, obrigado.

Crónica no suplemento do 65.º aniversário, Record, 26NOV14

 

 

 

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