Uma grande exibição da Seleção

Só alguém com os olhos raiados de sangue poderia considerar que a concludente vitória da Seleção sobre a congénere croata se teria ficado a dever à menor valia do adversário. O que aconteceu foi que a equipa de todos nós desenvolveu uma ação tão pressionante, em especial na primeira parte, que não deixou aos eslavos outra hipótese do que tentar evitar uma hecatombe – o que teria sucedido se os ferros não substituíssem o guarda-redes Livakovic.

Ao juntar a técnica excecional de João Cancelo, Rafael Guerreiro, Bruno Fernandes, Bernardo Silva e João Félix à excelente forma de Danilo e Diogo Jota – e à enorme experiência de Pepe e Moutinho – Fernando Santos permitiu-nos ver uma das melhores exibições dos últimos tempos da turma nacional. Oxalá Cristiano já possa atuar amanhã, na Suécia, para se confirmar que reunimos os necessários argumentos para levar vantagem sobre a França, em outubro e novembro, e garantir de novo a presença na “final four” da Liga das Nações.

Dos desempenhos “nota 10” da Seleção destaco o de Pepe, que aos 37 anos cumpriu a 109.ª internacionalização – uma brutalidade que só as 164 de Cristiano e as 122 de João Moutinho conseguem relativizar. A verdade é que Pepe jogou os 90 minutos, esteve perto de marcar e, ao cair do pano, dispôs ainda do poder de impulsão suficiente para voar sobre os defesas croatas e assistir André Silva, que assinou o 4-1. Chapeau!

Jorge Valdano, príncipe da lucidez, não podia ter sido mais claro: “Messi já se foi do Barcelona”. Ou seja, o génio argentino teve de voltar atrás para não sair a mal do clube, mas é natural que não reúna condições para ser o mesmo e que Camp Nou vá viver nove meses de problemas. Bartomeu quis apenas salvar a face. Se libertasse Messi, pouparia os 100 milhões de euros do salário e teria boas hipóteses de sacar outros 100 milhões ao clube que o contratasse. Assim, perde 200 milhões e compra a instabilidade permanente. Porque Messi sairá em junho e também já foi claro: “Tomei nota de tudo”. Vai doer.

O último parágrafo é dedicado a uma notícia piramidal: a de que o Benfica recusou uma proposta de 60 milhões de euros por Vinícius. Há qualquer coisa que não cola… Então, o Chelsea pagou 53 milhões de euros ao Leipzig pelo avançado Timo Werner, titular da seleção alemã – marcou o golo à Espanha, na sexta-feira – e o Barcelona oferece ao Lyon 25 ou 30 milhões por outro titular de seleção, esta a holandesa, Memphis Depay – três golos ao Dijon há uma semana – e o Benfica não aceita 60 milhões por um futebolista que nem sempre joga de início e que o selecionador do Brasil “desconhece”? Ainda por cima, a generosa “oferta” teria sido da Juventus (?), que conta com Luis Suárez, o verdadeiro, o despedido pelo Barça, e não o homónimo colombiano que jogou no Saragoça, da segunda divisão espanhola, e que o Benfica queria, se não chegasse Darwin, para o lugar de… Vinícius. É o Mundo ao contrário.

Outra vez segunda-feira, Record, 7set20

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