José Mourinho não podia ter começado melhor

Depois de demasiados meses a atravessar o deserto, José Mourinho voltou ao ativo, o que constitui uma oportunidade para os observadores de sofá. Para os que gostam do treinador – porque podem tornar a sonhar com grandes resultados desportivos. E para os que o odeiam – porque se reacende a esperança de que o mito tenha terminado.

A estes últimos, lembro apenas uma realidade com a qual terão de viver: ainda que perdesse todos os jogos até ao final da carreira, Mourinho, pelo que já conseguiu, seria sempre um vencedor. Claro que os vencidos da vida poderão satisfazer-se um dia que o vejam na miséria, situação que pelos valores que conhecemos dos seus contratos é altamente provável que aconteça… Basta esperar!

Não sendo um mourinhista indefetível – na verdade, já não sou indefetível de quem quer que seja – pertenço mais ao primeiro grupo. Gosto de ver compatriotas, desportistas ou não, a triunfar no estrangeiro, e agradeço por isso a Mourinho as alegrias que me deu. E reconheço as portas que os seus êxitos abriram aos técnicos portugueses que hoje brilham por esse Mundo fora.

Pessoalmente, sinto pena que o novo trabalho de Mou não seja no Arsenal, um histórico cujo “renascimento” constituiria uma tarefa ciclópica e talvez ainda mais motivadora. E que não teria a dificuldade acrescida que se lhe coloca no Tottenham: suceder a um treinador amado pelos adeptos. Não foi por acaso que Gary Lineker, comentador da BBC e antiga glória dos “spurs”, se apressou a dizer, mal soube do afastamento de Mauricio Pochettino: “Não vão encontrar melhor”. E não terá sido igualmente por acaso que, na chegada ao novo clube, Mourinho não tenha sentido o entusiasmo popular que o recebeu em Stamford Bridge e em Manchester.

Conjeturas à parte, o que já temos são factos: em oito dias, três vitórias (nos três primeiros jogos com o Tottenham), com 10 golos apontados e seis sofridos, ou seja, muito poder de fogo na frente, muito para corrigir atrás. Mais: qualificação para os “oitavos” da Liga dos Campeões e subida do 14.º lugar ao 5.º (!) na Premier – a par do sensacional Wolves de Nuno Espírito Santo e adiante de Arsenal e Manchester United. A perseguição ao Chelsea, agora a seis pontos (estava a 12!), e a uma posição de acesso à Champions, é agora o desafio. Começar melhor seria impossível, e a visita de quarta-feira, dos “spurs” a Old Trafford, também não poderia gerar maior expetativa. Sorte, Mou!

O último parágrafo vai para a SportTV, para lamentar a insistência da estação em designar apenas por “Belenenses” a SAD da Codecity. Uma teimosia que mais parece uma provocação ao Belenenses clube e respetivos adeptos, pois ainda ontem o narrador da partida de Tondela tratava os azuis do Jamor por “rapazes da praia”, uma nada ingénua demonstração de pseudo-cultura futebolística.

Outra vez segunda-feira, Record, 2dez19

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