Um almoço de jornalistas pouco revolucionários

“Sinto saudade de alguns velhos amigos, talvez não seja saudade, seja necessidade de viver tudo outra vez” – Projota, rapper, compositor e produtor musical brasileiro
13H-3
Após o 25 de Novembro de 1975, a Emissora Nacional passou a designar-se Radiodifusão Portuguesa e os serviços de informação, transferidos para as instalações da Rua Sampaio e Pina, deixaram de contar, nas redacções, com mais de uma dezena de jornalistas que aguardaram, no hall de entrada e ao longo de semanas, que se esclarecesse a sua participação no golpe. Foram momentos duros para todos e que abriram feridas que o só o tempo conseguiu fechar.
Quarenta anos decorridos, quero aqui recordar alguns dos fantásticos companheiros com quem privei, lá dentro, na redacção do primeiro turno de noticiários da rádio oficial, que tive o privilégio de chefiar. Constituíamos um grupo unido e solidário, que procurava enfrentar o clima de intimidação latente – e por vezes mesmo patente, à entrada e à saída do edifício – com boa disposição e empenho redobrado no trabalho.
Recupero imagens recolhidas após um almoço, na Ericeira – creio que já na Primavera de 1976 –, com o qual reforçámos os nossos laços de camaradagem e amizade. Lembro o João Soares, um grande especialista em política internacional, o Eduardo Fidalgo e o Carlos Branco, que davam voz às notícias, o Jorge Cobanco, que era um excelente repórter, o Abreu Alves, que fazia também relatos de futebol, o Ezequiel Carradinha, que partilhou comigo a condução de plenários inesquecíveis no Quelhas 2, e ainda a Daniela Sousa, a Teresa Almeida, a Maria Fernanda, a Lena, a Ivone, o Mourato…
13H-1

Carlos Branco, Abreu Alves e Jorge Cobanco, as três vozes das notícias das 13 horas, na RDP, em 1976

Estão todos na foto de grupo, em cima. Alguns já nos deixaram, mas revejo-os igualmente com redobrada emoção. Parece que foi ontem.
Parece que foi ontem, Sábado, 10DEZ15
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