TV porno, a nova face da RTP

Com os crónicos défices de exploração suportados pelos nossos impostos, a RTP devia perseguir uma programação alternativa que honrasse o seu papel de serviço público. E consegue-o, por exemplo, à quarta-feira, com o “Cá por casa”, de Herman José, uma brisa de humor, boa conversa, talento e cultura qb. Afinal, superar os 300 mil espectadores de audiência média, na hora em que as novelas de TVI e SIC somam dois milhões, é uma proeza.

O reverso da medalha – menos de 80 mil a ver, um desastre – acertou-me em cheio na noite de terça-feira, com um tal “Prova oral”. Caí na armadilha porque se há Marta Crawford e Hugo van der Ding no estúdio o exercício só pode ser de inteligência. Mas onde eu me fui meter!

A dada altura, aparece-me, encapuzado, um tal de “Alcochete”, piada gasta, a simular o ato sexual em várias posições e com um boneco a fazer de parceiro, numa cena tão escabrosa que até a insuspeita Marta, que fala de sexo com a descontração que se sabe, não era capaz de esconder o desconforto, refugiando-se no pormenor do artista estar “démodé” por… não tocar no clitóris. É triste, mas verdadeiro, leitor: pagamos também para a RTP1 transmitir sessões de pornografia. O lóbi das graçolas resiste.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 16mar19

 

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