Três estrelas

Nos últimos dias, tem estado na moda elogiar Nico Gaitán. Elogios justos, sem dúvida, para um jogador especial, desde logo pela forma como se apresenta, sem o corpo repleto de tatuagens e o cabelo com cortes à chunga, e depois pela estrutura do discurso e pela cabecinha – própria, atenta, preocupada e esclarecida.

Causam-me menos admiração as exaltações do argentino a Jorge Jesus, agora que saiu do Benfica e já não se encontra sujeito àquela disciplina interna que impõe silêncios e palavras de circunstância. A natureza humana só se revela, na sua verdadeira dimensão, quando as pessoas se vêem livres das amarras. Coragem, então sim, teve Gaitán quando se cruzou com Jesus e o cumprimentou – no derradeiro dérbi, creio. Coragem e estatuto, porque se de um pobre diabo se tratasse, há muito que estaria a caminho de um Omonia qualquer.

Aplaudo também, agora que a época em Portugal acabou, a postura de outra estrela que em boa hora o FC Porto trouxe para o nosso futebol: Casillas. Independentemente do seu atual valor futebolístico, que deixo à voracidade dos Mourinhitos que temos por aí, reparei numa simples frase de Helton sobre Iker: “Teve respeito por quem já cá estava, é um exemplo”. Casillas não trouxe só classe e visibilidade ao futebol português, trouxe igualmente a dimensão humana e o caráter em que estamos tão deficitários.

Termino com uma terceira estrela, afinal a primeira, a da Seleção Sub 17 que se sagrou campeã da Europa. É uma plêiade de novíssimos grandes jogadores, uma outra geração de ouro que saltou de pequenos e envergonhados pés de páginas para a abertura dos telejornais. Parabéns, malta!

Canto direto, Record, 23MAI16

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