Taxistas com saídas de gato

Ao liderarem, com entradas de leão e saídas de gatinho ronronante, uma “manif” de seis ou sete mil viaturas que se ficou pela metade e acabou em centenas, a Antral e a Federação dos Táxis deram uma mão à concorrência.

Durante quase 24 horas, os canais de informação mostraram tudo o que havia a mostrar e replicaram bem mais do que havia a dizer, já que os dirigentes da arruada se desdobraram em explicações erráticas e por vezes patéticas. A tacanhez da ação resultou assim numa gigantesca operação de marketing que a Uber não teria capacidade para pagar caso não lhe tivesse sido gentilmente oferecida.

Três ideias a fechar. A primeira é que, errando na forma do protesto, os taxistas têm razão quanto ao conteúdo da reivindicação. A segunda é que os repórteres da TV e dos jornais estão de parabéns pelas imagens da destruição de um veículo, que permitirão levar à justiça três ou quatro energúmenos. A terceira é que me incomodam pouco os “fôramos” ou os “cidadões” de Florêncio Almeida, tão glosados nas redes sociais, depois de ter ouvido a licenciados em comunicação social, de microfone na mão, frases como “não houveram danos”, “a polícia interviu” ou “a retiragem dos carros”. Não há desgraça que viva sozinha.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 15OUT16

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