Só a GNR defendeu o Estado

Se não há bruxas, parece. Num ai, o Sporting foi atingido pelo ataque dos bárbaros a Alcochete e por indícios de corrupção desportiva que levaram à detenção do homem de mão do presidente.

O que está por provar, sendo grave, não chega para ofuscar o que já aconteceu, que foi gravíssimo. E a mim, que não sou sportinguista, inquieta-me mais a derrota do Estado do que os problemas que o Sporting resolverá. A cedência da ordem pública aos baderneiros é que me assusta.

Marcelo tocou no ponto: somos muito bons a fazer de conta. E Governo, Federação, Liga e outras forças vivas do futebol e da sociedade foram rápidos a condenar a barbárie, na esperança de que se julgue que eles não estão a fazer de conta. Mas estão, claro.

As lágrimas de crocodilo tiveram o seu momento zen na intervenção (?) do secretário do Desporto, marcada com horas de antecedência para criar expetativa nos tolos. Com cara de poderoso, o homem veio declarar o óbvio repúdio – aliás, andámos dias entre o “repúdio veemente” e o “lamento profundo” – para logo se desviar para a final da Taça, “a festa do futebol” e essas tretas. Atitudes firmes ou medidas concretas, zero. Afinal, a defesa do Estado limitou-se à GNR. E quanto aos tribunais, amanhã veremos.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 19MAI18

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