Só a família poderá proteger João Félix

Há dias, o jornalista Roberto Palomar escrevia no diário “Marca”: “Só o tempo dirá se os 120 milhões por um recém-chegado à elite são um investimento lucrativo ou um desperdício. Por razões biológicas, João Félix não tem passado. Só tem futuro”. Este comentário do autor de “No me gustam los lunes”, homem pouco dado a punhos de renda, é apenas uma reflexão educada entre os muitos sinais daquela desconfiança com que no país vizinho se encara a transferência do português. Não se estranha, basta que recordemos o que disseram de Fábio Coentrão – mesmo na sua melhor fase no Real, quando “atirou” Marcelo para o banco – só porque custou 30 milhões de euros, ou a acrimónia que sempre rodeou André Gomes em Camp Nou, por causa dos 35 milhões que o Barça pagou por ele.

Poderemos assim imaginar como se arrepelarão os adeptos colchoneros – com as cabecitas nos 126 milhões – de cada vez que João Félix erre um passe ou falhe um golo, e a mágoa com que um miúdo de 19 anos escutará as demonstrações de impaciência vindas das bancadas – e elas vão aparecer cedo! Caberá à família, ao “entorno” do avançado na sua aventura, formar a muralha de aço onde esbarrem as manifestações de uma raiva que é filha da inveja social e do chauvinismo espanhol – veja-se como os fãs do Real amaram os golos de Cristiano sem nunca amarem o goleador… A família terá de suavizar as horas mais agrestes para que a afirmação do talento de João Félix esmague uma eventual desilusão “à Gelson Martins”, da qual seria muito difícil sair.

Grande trabalho de Carlos Queiroz à frente da seleção da Colômbia. Com três vitórias e um empate em quatro jogos, e 4-0 em golos, os cafeteros falharam as meias-finais da Copa América porque de penáltis percebem os chilenos… Depois do êxito com a equipa nacional iraniana, o professor – que não gosta que lhe chamem “professor” – soma e segue. Aos 66 anos… chapeau!

Buffon estava a caminho do Porto, Keylor Navas e Cillessen podiam vir para Lisboa… A facilidade com que se sonha neste pequeno país de tesos ou como foi bom, muito bom, um privilégio mesmo, ter Casillas em Portugal durante quatro épocas.

E quando se pensava que Bruma ia finalmente – e na altura certa, 24 anos, é agora ou nunca – relançar a sua carreira no FC Porto, e retornar à Seleção, eis que um novo ato de duvidosa gestão de carreira o leva a assinar pelo PSV. O campeonato holandês é o ideal para ele continuar em Leipzig estando em Eindhoven, ou seja, voltar a desaparecer na bruma.

Excelente presença nacional em Minsk e um embandeirar em arco excessivo por parte de alguns eufóricos recorrentes. Esperemos pelos JO do ano que vem e pelas dificuldades acrescidas – e então falamos.

O último parágrafo vai para a NOS, que anunciou a possibilidade de vir a lançar um canal de desporto, o que seria uma esperança para o desconsiderado telespectador português, que acabou de ver Braga por um canudo enquanto decorriam duas importantes competições internacionais. Uma foi o Mundial de futebol feminino, modalidade que suscita cada vez mais interesse, agora que o Benfica passou a levar a sério o seu desempenho e o Real Madrid decidiu, finalmente, formar uma equipa – só para dar dois exemplos próximos. A outra prova que vislumbrámos de longe foi o Europeu de Sub 21, com o seu impressionante desfile de craques do futuro. Afinal, temos quase duas dezenas de canais de desporto no cabo e nenhum teve capacidade financeira para se chegar à frente – uma história de pobreza.

Outra vez segunda-feira, Record, 1jul19

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