Sabia que Guterres quis dar um salário ao amigo Marcelo?

Tanto a propósito da candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República, em 2015 – e do desinteresse de António Guterres por essa disputa – como, no ano seguinte, com a do ex-primeiro-ministro a secretário-geral das Nações Unidas, entusiasticamente apoiada por Marcelo, muito festejada foi, nos média portugueses, a velha amizade que une os dois políticos desde o tempo de adolescência.

Mas nem tudo a pesca no Google traz à rede, pelo que, passados 20 anos sobre um caso esquecido, aqui venho recordar uma pequena e amiga ternura de Guterres. Em 1998 – ele chefiou o Governo de 1995 a 2002 –, tentou fazer aprovar o Estatuto do Líder da Oposição, que daria a Marcelo, presidente do PSD de 1996 a 1999, um salário mensal de 1256 contos (mais de 9 mil euros, a valores atuais), e outras benesses pagas pelo Estado.

Em 13 de março de 1998, o então jornalista José Paulo Fafe contava a história no semanário Tal&Qual, sublinhando que à iniciativa de Guterres, desenvolvida no maior secretismo, não faltavam opositores, no PS como no PSD – onde a medida era vista como um presente envenenado. É que o projecto previa, além do vencimento igual ao do primeiro-ministro – 897 contos, mais 359 de ajudas de custo –, uma viatura, motorista e segurança a cargo da PSP, passaporte diplomático com as inerentes regalias e ainda um chefe de gabinete e seis (!) assessores…

Mas a Inglaterra era o único país da Comunidade Europeia que contemplava na lei o estatuto em causa, pelo que a deferência de Guterres para com o amigo não iria em frente e o líder da oposição ficou com aquilo que existe hoje: direito a tratamento protocolar ao nível de ministro. É a vida, como alguém diria.

Parece que foi ontem, Sábado, 19ABR18

 

 

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