Rui Vitória: o quarto falhado faltou ao encontro

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A vida corre favorável a invejosos, frustrados e ressabiados. José Mourinho está a 8 pontos do líder na Premier, Cristiano Ronaldo soma desafios sem marcar na liga espanhola, e Jorge Jesus, agora a 5 pontos do Benfica, ainda não deixou a rampa de lançamento do falhanço da temporada passada e arrisca-se a voltar a não chegar ao título. Afinal, esses deficientes de caráter têm sempre razão: apostam na desgraça dos outros sabendo que a morte é certa e exultam logo que os bem- sucedidos da vida pareçam tão zeros à esquerda como eles.

Asnos. Ontem, no Dragão, as coisas correram-lhes de feição até aos 92 minutos, com Rui Vitória desanimado, junto à lateral, já com todas as substituições feitas e pronto a entrar para a lista dos falhados que citei, portugueses famosos, realizados e milionários – não pela qualidade do seu trabalho e pela sua inteligência, claro, mas por pura sorte, como garantem os asnos.

Banho. Não era só o 1-0 a favor dos da casa que os entusiasmava, era ainda o banho de bola que durante mais de uma hora – e o Benfica levou mesmo uma hora para fazer o seu primeiro remate à baliza – os dragões deram às águias. E fizeram-no graças a uma intensidade de jogo impressionante e a um domínio absoluto do meio-campo, que destruíram quase por completo a fase de construção dos encarnados. Foi o verdadeiro regresso do FC Porto ao grande futebol a que nos tinha desabituado.

Fugitivo. E como conseguiu Nuno Espírito Santo, também ele em fuga do painel dos odiados de estimação, esse milagre? Espalhando o talento de quatro executantes de eleição e explicando-lhes que até no futebol os melhores vencem mais vezes. Diogo Jota, Óliver, Otávio e Corona – com a ajuda de André Silva e de uma defesa tão coesa que não tem lugar para esse jogador extraordinário que é Miguel Layún – fizeram gato-sapato de um irreconhecível Benfica.

Getafe. Com o campeão de rastos e o seu treinador desiludido, esqueceram-se os portistas que faltavam os pregos no caixão da águia. E perderam oportunidades – muito por culpa dos centrais da Luz, em forma superlativa – até ficarem sem gás e o seu ritmo quebrar. Aí, surgiram as camisolas escarlates e o brio que vinha lá de dentro, as fraquezas feitas forças. E Lisandro – que um dia Jesus mandou para Getafe, lembram-se? – salvou então a honra da águia. Rui Vitória continua em alta e os inimigos do mérito afogados na raiva.

Contracrónica, Record, 7NOV16

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