Rui Vitória não faz milagres

Recordo-me de uma época, há uns bons 50 e tal anos, em que o Vitória de Setúbal desceu à segunda divisão e, para irritação minha, ganhou ao Belenenses os dois jogos, no Bonfim e no Restelo. É uma sina. Quando subimos, em 2012/13, iniciámos o campeonato goleados pelo Benfica B, algo idêntico ao que aconteceu agora: afastámos o Gotemburgo e o Altach do acesso à Liga Europa e fomos à Luz fazer de passarinhos e levar 6 do Benfica – ainda hoje Rui Vitória agradece aos céus a benesse.

A felicidade por esse resultado toldou os encarnados, fazendo com que desvalorizassem o facto de terem jogado, acordados, contra uma equipa que dormia a sesta. E a semi-euforia então criada esfumou-se em três dias, no desafio com o Astana, um onze de valor semelhante ao de Belém mas que não bate sornas depois do almoço. Não fosse o lance genial de Nico Gaitán e não sei se o futebol de repelões dos homens da Luz teria artes para ultrapassar o 0-0.

É verdade que na primeira parte da partida de domingo, no Dragão, o Benfica mostrou mais qualidade e só soçobrou na segunda por ser grande, enorme, a diferença de qualidade e quantidade do plantel portista em relação ao do rival. Com o impedimento de Fejsa, por exemplo, Vitória recorreu ao polivalente André Almeida e o FC Porto sentou Danilo e Herrera no banco. Para as alas, o Benfica, sem Salvio, recorre a um miúdo de 18 anos, enquanto Lopetegui dispõe de Brahimi, Corona, Varela, Tello…

Não há milagres. Vitória precisa do apoio de LF Vieira e da paciência dos adeptos. E de tempo para apanhar os cacos e pôr de novo o edifício em pé.

Canto direto, Record, 23SET15

Partilhar

Os comentários estão fechados.