Rui Vitória até Seferović recuperou

Um dos temas fortes da semana finda foi a reação de Rui Vitória no final da partida decisiva com o PAOK, que ditou o apuramento do Benfica para a Champions. As declarações do técnico visaram críticas de alguém que não foi mencionado, o que fez com que pessoas mais sensíveis aproveitassem para destratar Vitória. Tudo serve, é uma sina.

Também não percebi a quem era dirigido o recado, nem me interessa. O que conta é que o Benfica se qualificou, o que é bom para o futebol português. E o que quero relevar é que vejo prosseguir o trabalho competente de um treinador que lançou Gedson, que prepara Alfa Semedo e João Félix para outros voos, que não desistiu de Rafa, que resolveu bem o problema dos centrais, que repôs a tranquilidade na baliza e que – não podendo dispor de Jonas e Castillo – contornou o menor rendimento de Ferreyra recuperando a melhor fase de Seferović. Acham pouco? Não pode o homem desabafar com o que lhe apetecer? Tem de pedir licença a quem? Ou tem de ler e ouvir tudo o que se quiser e ficar calado?

Nos sites e nas redes sociais, alguns madridistas exultam: porque Modric substituiu CR7 como melhor jogador da Champions, porque Benzema já marca golos, porque Bale é o novo Cristiano, porque encontraram em Mariano um “7”, porque o Real Madrid é agora uma verdadeira equipa e porque – ò efémera felicidade! – o seu ódio de estimação de nove anos continua sem concretizar na Juventus. Não entendem o que são campeonatos, que só vale como acabam e não como começam, e especialmente não percebem que os seus ídolos têm pés de barro. Bale nunca será Cristiano, aliás, não tarda que pare, lesionado, Benzema entrará como sempre em período de hibernação e de greve aos golos, Mariano é por enquanto uma ilusão e Modric só arrebatou o prémio da UEFA a Cristiano porque ele já não está no Real. Mas não pensaram ainda no pior, que virá mal as coisas deixem de correr bem e Lopetegui comece a ver bruxas debaixo da cama. Toquem os solos de violino que quiserem, mas a mim, madridista de cabeça avisada, o que me preocupa é o que há de vir e não me parece que seja nada de bom.

A propósito: Cristiano pode ter todas as razões do Mundo para não comparecer no Mónaco, que não conseguirá limpar a má imagem resultante dessa ausência. Nem que fosse por Luka Modric, um futebolista tremendo e um dos seus maiores apoios no balneário merengue, que não merecia o modo como foi tratado. Cristiano, apesar de tudo o que evoluiu e de outras qualidades humanas, devia aprender que quanto mais suaves forem as bofetadas, mais doem. E perdeu uma grande oportunidade de dar uma daquelas de luva branca.

O último parágrafo vai para um alívio e um pesadelo. Por um lado, ficámos aliviados pelo final da novela Ramires, por causa dos saloios que voltaram a encher de RamirEZ os comentários televisivos, como se o jogador fosse argentino ou paraguaio. Já nos basta a estupidez dos mesmos plumitivos com os seus Renatos SanchEZ! Quanto ao pesadelo, ele nasce da ida de Cristiano para a Juventus, que nos trouxe a praga da “vecchia signora”. Não há cão nem gato que passe sem mostrar a sua erudição e mal possa, zás: sai mais uma “véquia sinhora” para a mesa do canto. Apre! O que é de mais, enjoa.

Outra vez segunda-feira, Record, 3SET18

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